terça-feira , 22 de Maio de 2018
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Segundo o Sistema de Gerenciamento de Risco Aviário (Sigra), responsável pelos registros de colisão com aves no espaço aéreo brasileiro, o pouso foi feito por precaução, mas o motor não teve danos ( Foto: Antonio Rodrigues )

Avião faz pouso de emergência em Juazeiro do Norte quando se dirigia a Fortaleza

Os passageiros levaram um grande susto e precisaram ser reacomodados em voos posteriores.

Juazeiro do Norte. Os passageiros do voo O6 6376 tomaram um susto, na manhã de ontem (15), logo após decolar do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, às 8h25. O destino era Fortaleza. A aeronave, da empresa aérea Avianca Brasil, colidiu com um carcará (caracara plancus), que foi sugado pela turbina. Logo após atingir a ave, o avião começou a tremer e o piloto optou por pousá-lo em seguida. Em 2018, cinco colisões com animais foram registradas no espaço aéreo do Município.

Segundo os passageiros, pouco depois da decolagem, o avião começou a vibrar e não conseguia alcançar a altura e a velocidade normais. “Com 10 minutos de voo, ele anunciou que retornaria porque teve um problema no motor. De imediato, não disse o que tinha acontecido, mas, conforme o avião começou a balançar, ele informou que tinha sido uma ave que foi pega na turbina”, descreve um passageiro.

Segundo o Sistema de Gerenciamento de Risco Aviário (Sigra), responsável pelos registros de colisão com aves no espaço aéreo brasileiro, o pouso foi feito por precaução, mas o motor não teve danos. Conforme a empresa área, o procedimento foi realizado normalmente e os 91 passageiros ficaram em um hotel até serem reacomodados no voos seguintes para a capital cearense, que partiram na mesma noite e na manhã de hoje (15).

Por conta da retenção do avião para inspeção, o voo O6 6373, saindo de Fortaleza com destino a Guarulhos, em São Paulo, foi cancelado. A Companhia disse, em nota, que ofereceu o atendimento aos passageiros e reacomodando-os nas próximas saídas para a capital paulista. Ainda no comunicado, a Avianca Brasil lamentou o desconforto causado aos clientes e ressaltou que a segurança de seus passageiros e colaboradores é sua principal prioridade.

Incidentes são comuns

Colisões entre aeronaves e fauna, principalmente aves, conhecidas no Brasil como “risco de fauna”, são o tipo de incidente mais repetitivo na aviação mundial e representam hoje uma das maiores preocupações para o setor aéreo.

Eventos desta natureza já vitimaram mais de 470 pessoas e custam aproximadamente US$ 3 bilhões anualmente. Uma das grandes dificuldades para atuar na mitigação deste problema é a baixa porcentagem de colisões reportadas ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), apenas 31,71%.

No caso de ontem, o carcará tinha entre 751 centímetros a 1,5 metro, tamanho considerada grande pelo Órgão. No entanto, outras quatro colisões já aconteceram no espaço aéreo de Juazeiro do Norte, apenas em 2018. Estes incidentes envolveram a mesma espécie e três quero-queros. No caso do Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, logo após a pista de decolagem, há um riacho corta o bairro Brejo Seco, que pode atrair as duas espécies.

Além das colisões, o Sistema de Gerenciamento de risco aviário também registra avistamento de animais e quase colisões. Ano passado, na Terra do Padre Cícero, houve 54 registros e, destes, 24 são colisões, mas nenhuma delas danificou a nave ou foi necessária algum pouso de emergência. Os incidentes acontecem em diferentes fases do voo, como pouso, aproximação e decolagem, mas também com animais terrestres, durante o estacionamento, o táxi e a revisão da pista, por exemplo.

No entanto, os 54 registros e, destes, 24 colisões podem parecer altos, se comparados a Fortaleza. Na capital cearense, que teve 52.290 pousos e decolagens, em 2017, aconteceram 37 colisões com animais. Juazeiro do Norte, que possui um número de voos seis vezes menor, 8.710, alcança mais da metade do registro de incidentes. Se somados os avistamentos e quase colisões, o Aeroporto Pinto Martins teve 57 registros, no ano passado, apenas três a mais que o Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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